
“Pioneer To The Falls” é o tema que começa por desvendar e propor a fusão de todos os pedaços que constroem Our Love To Admire, numa entrada que facilmente nos faz recordar o primeiro trabalho, mas que aos poucos se vai revelando mais densa e complexa, envolta em sentimentos mais ou menos enevoados, e onde podemos observar as primeiras novidades ao nível dos recursos que os Interpol utilizaram na produção deste álbum, nomeadamente na aparição de instrumentos de sopro – o oboé.
O triângulo composto por “The Scale”, “The Heinrich Maneuver” e “Mammoth” representa a sequência mais brilhante de todo o registo, fazendo desejar que todo o trabalho fosse composto por temas como estes, que despoletam uma súbita vontade de (quase) dançar, um sentimento que no entanto não é de todo estranho quando se esbarra com determinados temas da banda de Nova Iorque (nunca esquecendo “Evil” ou “PDA”). “The Heinrich Maneuver” é de resto o primeiro single do trabalho, parece quase feito de propósito para o efeito de promoção, onde o refrão “today my heart swings” não poderia ser de mais instantânea apreensão. Este é, aliás, um dos temas mais coesos de todo o trabalho, e onde pela primeira vez em Our Love To Admire apreciamos cada um dos quadrantes dos Interpol, aqui com especial destaque para o baterista Sam Fogarino, que estando longe do excepcional, se afasta da cadência rítmica de todo o trabalho, que é um dos pontos que prejudica seriamente o álbum.
Uma insistência para recorrer à mesma fórmula de um modo menos requintado do que seria de esperar proporcionou um álbum feito de temas demasiado iguais, com excepções feitas para uma mão cheia de músicas. A grande bóia de salvação deste trabalho reside no facto de que mesmo as faixas mais fracas, como “No I In Threesome” ou “Rest My Chemistry” são temas simpáticos e estão bastante intercalados, o que nas primeiras audições acaba por ser positivo, uma vez que nos afasta da sensação de repetição.
“Pace Is The Trick” recupera a melancolia e uma certa apatia que transparecia do tema de abertura do álbum, embora apenas no primeiro minuto, para depois entrar em progressão, quer na dinâmica da música, quer na própria interpretação de Banks, que progressivamente faz deste o tema com mais personalidade de todo o trabalho. Segue-se “All Fired Up” que é mais um daqueles que, como “The Heinrich Maneuver”, insiste no reconhecimento das partes que levam ao todo que é a banda, ainda que este seja sempre mais um reconhecimento do par Banks/Fogarino, uma vez que é o trabalho da voz do primeiro e da bateria do segundo que impõe o ritmo e leva o tema a bom porto.
Minutos antes de chegarmos ao fim de Our Love To Admire, “Who Do You Think?” coloca-nos novamente na rota dos temas que nos dão corda aos pés para um pezinho de dança meio desajeitado, como a própria música vai sugerindo ao longo da sua duração. A partir daqui, o registo entra definitivamente numa quase decadência, não mais igualando os temas anteriores e “Lighthouse”, um tema que parece cantado do fundo de um aquário encerra Our Love To Admire de forma gorada, quase numa sensação de desistência pura, uma melancolia que já não é melancolia, parece mais transformada numa espécie de frustração melódica.
Our Love To Admire não parece um trabalho precipitado. A fasquia, essa, não estava demasiado alta, pela pequena desilusão que fora Antics, e nesse aspecto, os Interpol superaram o predecessor, o que a não acontecer teria sido mau de mais. Mas este será só mais “um” álbum e nunca “o” álbum da carreira dos Interpol. 3.5/5
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